|
|
Desde 24 de julho de 1952 |
|
S.R.S.P.
|
|
Consulte |
|
|
A Prova de Rorschach Prova de Rorschach, elaborada por Hermann Rorschach em 1921, consiste de 10 lâminas com borrões de tinta que obedecem a características específicas quanto à proporção, angularidade, luminosidade, equilíbrio espacial, cores e pregnância formal. Estas mentais que, por sua vez, fazem parte de um complexo de representações que envolvem idéias ou afetos, mobilizando a memória de trabalho. O diferencial da metodologia de Silveira na elaboração da prova de Rorschach pode ser notada pelo refinamento técnico de todas as etapas do processo: aplicação, classificação das respostas, cálculo e interpretação. Todas essas etapas estão correlacionadas e ancoradas na teoria de personalidade que alinhava de modo consistente e dinâmico as funções neurais, o trabalho cognitivo e a organização emocional subjetiva e única a cada um. Deste modo, a Escola de Silveira prima pela comunhão entre a objetividade, dinâmica e respeito à experiência subjetiva. A aplicação da Prova de Rorschach é feita individualmente, não havendo aplicação em grupo. Na aplicação, as lâminas são apresentadas uma de cada vez, sendo solicitado ao examinando que diga com o que acredita serem parecidos os borrões de tinta. Diante deste convite à contemplação e associação aos borrões impressos nas pranchas, hipóteses de respostas são ativadas, colocando à prova as funções psíquicas de percepção, atenção, julgamento crítico, simbolização e linguagem. Concomitantemente à execução destas funções psíquicas na avaliação das hipóteses frente às manchas, os processos psíquicos afetivo-emocionais, motores-conativos e os cognitivos concorrem para a formulação final da resposta. As respostas ao Rorschach, portanto, revelam o status da representação da realidade em cada indivíduo, trazendo dados a respeito do desenvolvimento psíquico, das funções e sistemas cerebrais, dos recursos intelectuais envolvidos na construção das diferentes imagens, das articulações intrapsíquicas e da natureza das relações interpessoais. Como a Prova de Rorschach avalia a dinâmica de personalidade particular a cada pessoa, não se deseja, a partir de seus dados, atribuir um diagnóstico psiquiátrico. Pretende-se, no entanto, contextualizar os distúrbios psíquicos, compreender o valor e o significado de um sintoma clínico e orientar para o tratamento mais adequado. A Prova de Rorschach pode ser aplicada: - em qualquer pessoa (desde que tenha condições de se expressar verbalmente e que tenha suficiente acuidade visual), de qualquer faixa etária e qualquer nível sócio-econômico-cultural. Como o propósito do exame é verificar a estrutura e a dinâmica da personalidade de cada examinando em particular, indicando não só as dificuldades, mas também os recursos positivos, não existem respostas certas ou erradas, pois as pessoas são diferentes e emitem respostas diferentes. Neste sentido, qualquer tentativa do examinando de conduzir suas respostas de acordo com manuais ou orientações externas está fadada ao fracasso, invalidando a aplicação da Prova. Trata-se de um instrumento muito sensível às nuances da personalidade refletindo, claramente, os esforços de manipulação, dissimulação ou controle da situação de aplicação. - em vários campos, tais como na pesquisa, na clínica, em avaliações neuropsicológicas, em orientações vocacionais, nas áreas organizacional, jurídica ou educacional. Convém ressaltar que a Prova de Rorschach é um instrumento de personalidade que permite avaliar uma gama ampla e profunda quer das características pessoais, quer da economia emocional do examinando. Desta forma, uma vez que o psicólogo tenha propriedade das indicações, contra-indicações e dos processos psíquicos mobilizados durante o exame, sua aplicabilidade depende das circunstâncias externas e da criatividade e profissionalismo do especialista em Rorschach. Neste sentido, há um "sem fim" de campos dentro dos quais a Prova de Rorschach pode alcançar sua aplicabilidade. Na pesquisa, o Rorschach revela uma impressionante precisão e sensibilidade à elaboração das estratégias de investigação. Na prática comum, na área clínica, a Prova de Rorschach tem se mostrado muito fecunda para a avaliação do paciente em casos em que urge um pronto e preciso referencial técnico, como podem ser, por exemplo, os casos de questões ligadas à necessidade de indicação medicamentosa ou de algum específico aconselhamento familiar. Muitas vezes, a Prova é utilizada apenas como norteador da técnica mais apropriada de atendimento. Em neuropsicologia, o Rorschach permite a elucidação de questões práticas ligadas aos processos psíquicos superiores e suas relações com os sistemas cerebrais, ampliando ou justificando a melhor opção quanto aos demais testes neuropsicológicos. Na orientação vocacional, revela as motivações inconscientes em conflito, esclarecendo a natureza das dificuldades que estão implicadas na escolha profissional. Na antropologia, é utilizada como instrumento para a visualização e compreensão das formas de visão da realidade em diferentes culturas. Na área organizacional, a Prova de Rorschach tem sido muito usada para seleção de pessoal, recolocação, desenvolvimento de competência e habilidades e orientação profissional. Na área jurídica, esta Prova tem se tornado cada vez mais um instrumento de auxílio nas decisões dos juízes, na orientação dos advogados, no trabalho pericial ou naquele do assistente técnico, quer nas Varas da Infância e Juventude, da Família e Sucessões, na Criminal ou na Cível. No âmbito educacional, a Prova de Rorschach aponta para a qualidade dos processos evolutivos da integração da criança com a realidade, sublinhando as principais defesas e dificuldades, fornecendo as diretrizes a serem tomadas pelos educadores. Cumpre lembrar novamente que é impossível traçar todas as possibilidades de utilização deste instrumento de diagnóstico da personalidade da mesma maneira que se mostram ilimitados os caminhos que a natureza humana encontra para sua expressão. |
|