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Página Inicial > Artigos > Psicodiagnóstico de Rorschach: da criação de Hermann Rorschach à Escola Brasileira de Anibal Silveira

  • Psicodiagnóstico de Rorschach: da criação de Hermann Rorschach à Escola Brasileira de Anibal Silveira


Maria Fernanda Gouveia da Silva
Especialista em Rorschach pela Soc.Rorschach de S.Paulo
Mestre em Psicologia pelo IP-USP
Doutora em Ciências pela FMUSP

Hermann Rorschach (1884-1922) foi o primeiro a utilizar manchas fortuitas de tinta para investigação da personalidade, preocupando-se não somente com o quê a pessoa via, mas como via cada figura, relacionando tais observações às funções psíquicas. Antes dele, muitos pesquisadores utilizaram essa técnica para verificar somente a imaginação e a criatividade a partir das respostas obtidas às manchas.

            No curso secundário, Hermann dedicava-se ao desenho fazendo caricaturas, manipulando brincadeiras curiosas com borrões de tinta, muito jogadas naquele tempo denominadas Klecksografia. Em função de um curioso interesse neste jogo, ele

recebeu o apelido de “Klex” (desenhista de borrões).

            Formou-se em Medicina em 1909 e iniciou seus estudos e pesquisas com manchas de tinta em 1911, tendo sido influenciado por Heins (1917) que desenvolvera um trabalho utilizando oito cartões monocromáticos, com os quais procurava investigar o conteúdo das respostas dadas por crianças, adultos, psicóticos.

 Entretanto, não foram os resultados que chamaram a atenção de Rorschach, mas a formulação de algumas questões quanto à seleção da figura como um todo ou suas partes, sobre a influência do uso de cores nas respostas das pranchas e a utilidade para o diagnóstico de psicoses.

Em 1918, criou 15 pranchas com dois elementos de estruturação: eixo e simetria, sendo algumas das pranchas em preto e branco, outras em preto e vermelho e ainda outras, coloridas; passou a experimentá-las em seus pacientes no Hospital de Herisau, aplicando-as inclusive em enfermeiras, estudantes de medicina, crianças e outras pessoas e totalizando uma amostra de 288 doentes mentais e 117 indivíduos “normais”.

            Ao enviar suas pranchas para editora, a fim de que fossem impressas em série, as mesmas sofreram algumas alterações: o número de pranchas foi reduzido para 10, o formato também sofreu redução, as cores foram modificadas e determinadas áreas apresentaram-se sombreadas. Apesar do acaso dessas modificações, elas foram aproveitadas por Rorschach que passou a pesquisar as reações ao sombreado, atribuindo-lhe interpretações.

            Em junho de 1921 publicou seu livro “Psicodiagnóstico” que continha as conclusões de seus estudos com as pranchas por ele elaboradas.

            Apresentou, em 1922, seu trabalho à Sociedade de Psicanálise de Zurique quando, através da uma análise às cegas de um paciente de outro médico, Oberholzer, obteve resultado plenamente coincidente com o diagnóstico clínico.

            Rorschach morreu prema turamente em abril de 1922 de crise de apendicite agravada por peritonite aguda, rompendo bruscamente as pesquisas sobre sua técnica, retomada por seus seguidores.

            No Brasil, consta que desde 1927 Ulysses Pernambuco, em Recife, fazia uso desse método, bem como Helena Antipoff, em 1929, em Belo Horizonte.

            Oficialmente, a primeira referência data de 1932, através de uma comunicação proferida pelo Dr. José Leme Lopes, cujo titulo era “O Psicodiagnóstico de Rorschach na consulta médica psicológica”.

            Um dos primeiros nomes ligados ao Método de Rorschach no Brasil foi o do psiquiatra Anibal Silveira (1902-1979), um dos fundadores da Sociedade Internacional de Rorschach. Silveira iniciou seu aprendizado em 1927, em Nova York, com David Levy, um dos introdutores deste método nos EUA. Passou a estudar e aplicar este teste, desenvolvendo um sistema próprio de classificação e interpretação do Rorschach, o qual publica em 1943.

Anibal Silveira fundou, em 24 de julho de 1952, a Sociedade Rorschach de São Paulo, com o objetivo de organizar um centro de Pesquisas e Ensino de caráter interdisciplinar da Prova de Rorschach.

            Fundamentou seus estu dos na teoria positivista de Augusto Comte(*)  enquanto teoria de personalidade que fornece as diretrizes para elaboração de dados do psicodiagnóstico.

O Prof. Anibal conceitua personalidade como o conjunto de funções subjetivas agrupadas fundamentalmente em três setores: afeto, conativo e intelectual (ou cognitivo).

Segundo ele, “Estas funções psíquicas resultam do funcionamento cerebral, são peculiares à espécie humana e continuamente regem em harmonia as disposições do indivíduo e as suas relações com os ambientes físico e social”.

Referências Bibliográficas
COELHO, L.M.S. Epilepsia e Personalidade. Editora Ática, São Paulo: 1975, p.29-77.

RORSCHACH, H. Psicodiagnóstico.  2.ed.Editora Mestre Jou, São Paulo: 1974.

PEREIRA, A.M.T.B. Introdução ao Método de Rorschach. Editora Pedagógica e      
     Universitária, São Paulo: 1987, p.3-13.

 

______________

(*) Positivismo -  A. Comte - filosofia que fornece elementos para a compreensão e a análise de fenômenos psicológicos normais, patológicos, evolutivos e de integração do indivíduo humano na sociedade. Baseia-se essencial mente na consideração do homem como ser social e, portanto, na interação dinâmica com o ambiente e permite, ao mesmo tempo, a correlação entre os fenômenos psíquicos e seu substrato anatômico.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 

 


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